Laboratórios urbanos do projeto Alianças para Transformação Urbana em espaços para diálogo multissetorial e acadêmico.

Um grupo de sete pessoas está em um palco segurando certificados.
Membros do Laboratório Urbano de León e do WRI México no Primeiro Congresso Internacional de Urbanismo Participativo e Resiliente. © WRI Mexico

Com o objetivo de ampliar o alcance do projeto Alianças para Transformação Urbana (TUC) e contribuir para a replicabilidade dos laboratórios urbanos como modelo de tomada de decisão baseada em consenso que promove a ação climática e a justiça social, o WRI México e membros do laboratório participaram de diversos espaços de diálogo, reflexão e aprendizado coletivo. A apresentação do projeto em conferências e seminários acadêmicos visa não apenas compartilhar a experiência desenvolvida ao longo de quatro anos em León, Guanajuato, e Naucalpan, Estado do México, como também compartilhar metodologias, descobertas e lições aprendidas que permitirão a outras cidades adaptar o modelo e impulsionar processos locais de inovação, governança e transformação urbana a partir de uma perspectiva inclusiva e territorial.

Em 6 de novembro de 2025, em Guanajuato, o WRI México e representantes do Laboratório Urbano de León participaram conjuntamente da conferência “Laboratórios Urbanos: Inovação para a Ação Climática”, realizada no âmbito do Primeiro Congresso Internacional de Urbanismo Participativo e Resiliente, organizado pela Associação Mexicana de Urbanistas (AMU). O WRI México compartilhou as lições aprendidas com o projeto TUC, enquanto membros do Laboratório Urbano de León contribuíram com sua experiência direta, refletindo sobre o processo, os aprendizados e os desafios da colaboração multissetorial. O evento contou com a presença de funcionários públicos, acadêmicos, especialistas da área e estudantes. 

Neste espaço, também foi realizado o painel de discussão “Visões Multissetoriais: Desafios e Conquistas do Laboratório Urbano de León”, moderado por Melissa Delgado, do Tecnológico de Monterrey, com a participação de Cecilia Rodríguez, do Comitê de Moradores do Barrio Arriba (liderança comunitária); Fernando Herrera, da Gnosis XXI (setor privado); Juan Antonio Ruelas (governo local); Patricia Cuevas, da Universidad Humani Mundial (academia); e Verónica Rico Cortés, da EcoBag León (sociedade civil).

Com base em suas diversas experiências e funções, os participantes do painel destacaram o valor da colaboração multissetorial na construção coletiva da cidade. Concordaram também que o laboratório urbano se mostrou um espaço de aprendizado, responsabilidade compartilhada e desenvolvimento coletivo, onde tanto as habilidades técnicas quanto as conexões sociais foram fortalecidas. Como Melissa Delgado, membro do laboratório, expressou durante o painel: “É uma amostra do que fazemos no Laboratório Urbano para a cidade. Observamos como a mentalidade das pessoas também se transforma, porque não há hierarquias, estamos todos em pé de igualdade e todas as opiniões contam.” Esta reflexão resume o impacto do processo e a relevância dos laboratórios urbanos como plataformas para promover soluções climáticas e sociais enraizadas no contexto local.

Posteriormente, em 1 de dezembro, o projeto Alianças para Transformação Urbana (TUC) foi apresentado no Segundo Seminário Interdisciplinar de Estudos Socioambientais, realizado na FES Acatlán da UNAM, com a participação de professores, pesquisadores e estudantes interessados em sustentabilidade, governança e perspectivas críticas sobre a relação entre sociedade e natureza. Neste espaço, facilitado por Marisol Romero, Ruth Camacho e María Teresa Zárate, membros do Laboratório Urbano de Naucalpan e acadêmicas da FES, compartilharam suas experiências no processo de implementação do modelo, destacando o papel fundamental da academia nos processos de tomada de decisão e sua participação em espaços de experimentação que permitem conectar o conhecimento acadêmico com a ação climática e a governança urbana.

Com uma perspectiva etnográfica, Marisol Romero destacou o papel central das mulheres na articulação e sustentabilidade dos espaços colaborativos, bem como os desafios envolvidos na manutenção da participação comunitária em contextos metropolitanos, particularmente em termos de tempo, mobilidade e continuidade dos processos.

Por fim, o WRI México compartilhou que o projeto está em sua segunda fase, focada no alinhamento de políticas públicas e no desenvolvimento de metodologias que facilitem a replicabilidade e ampliação do modelo. Foi também enfatizada a importância de aproveitar iniciativas coletivas preexistentes, fortalecendo-as com uma abordagem de ação climática, e disponibilizando ferramentas e guias para consulta pública. Nesse contexto, os palestrantes destacaram o papel do setor acadêmico como ator fundamental para a sustentabilidade e a replicabilidade dos modelos de governança, graças à sua capacidade de geração de conhecimento, capacitação e engajamento territorial, o que permite uma influência informada e sustentada nos processos locais de transformação urbana.

Complementando essa conexão com a FES Acatlán, o modelo de governança colaborativa promovido pelo projeto TUC começou a ser incorporado ao currículo acadêmico local por meio de programas de formação voltados para futuros profissionais.

Entre 22 e 30 de janeiro de 2026, foi realizado o programa “Design e facilitação de oficinas de planejamento participativo para a governança urbano-ambiental”, na área de estudos urbanos e ambientais. Seu objetivo foi fortalecer as capacidades dos alunos no planejamento e implementação de processos participativos relacionados ao planejamento territorial, urbano e ambiental. A equipe do WRI México participou de algumas das sessões desta experiência de formação, compartilhando metodologias, ferramentas e lições aprendidas com o projeto TUC.